fbpx

Executivos Investem Em Cursos Para Ter o Próprio Negócio

(Fonte: Jornal O Valor, São Paulo)

Formação: Programa do Sebrae em parceria com ABF está no topo das preferências de novos franqueados.

A nova geração de empreendedores por necessidade – criada pelo aumento do desemprego nos últimos anos – inclui executivos que foram demitidos de grandes empresas e recorreram a programas de formação para poder abrir o próprio negócio.

A taxa de empreendedorismo por necessidade no país passou de 30%, em 2014, para 43%, em 2016. Os dados são do Sebrae, que aponta a relevância da educação e do preparo para o sucesso da empreitada. O tempo de planejamento médico antes de abrir o negócio é de 11 meses entre empresas ativas e 8 meses entre empresas inativas. Entre as primeiras, 69% investiram na capacitação dos sócios e 51% realizaram cursos para melhorar o conhecimento sobre a administração do negócio, em comparação a índices de 52% e 34%, respectivamente, nas empresas inativas.

Os cursos oferecidos pelo Sebrae estão no topo das preferências dos novos empreendedores. Como uma boa parte deles opta por franquias, o programa em parceria com a Associação Brasileira de Franchising (ABF) é outro campeão de interesse, com apoio dos treinamentos fornecidos pelas redes. Outros aproveitam formações anteriores, de MBAs a cursos de especialização.

Alexandre Caetano Motta passou 19 anos na empresa de andaimes Mills do Brasil antes de ser desligado, em dezembro de 2014. “As obras de engenharia pararam de uma vez no país”, recorda. Ao perceber a dificuldade para recolocação, ele fez um curso da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para vender seguros, finalizado em 2003 por sugestão de um colega de curso na FGV.

Ex-superintendente regional de infraestrutura, com salário em torno de R$ 31 mil e suporte financeiro apoiado por prêmios e reservas, Motta, hoje com 55 anos, abriu em 2015 a corretora de seguros e negócios BRMG, em Belo Horizonte (MG), para aproveitar a habilidade de relacionamento com clientes e parceiros. “Se surgir convite, vou propor trabalho por hora”, diz.

Outro que aproveitou curso realizado enquanto executivo foi Glauco Vega, 37 anos, Ex-CEO da rede Curves de franquias. Demitido em 2015 enquanto cursava o programa de formação de propostas para negócios Metanoia, aproveitou o embalo para criar a República de Negócios em São Paulo (SP), facilitadora que já movimentou R$ 2 milhões para empresas parceiras e rendeu faturamento de R$ 387 mil no ano passado. O próximo lançamento é um produto digital de apoio a marketing pessoal.

Já Sérgio Reis apostou em cursos do Sebrae para empreender. Com 47 anos, até 2016 ele gerenciava unidades regionais do Senai dedicadas ao programa Pronatec, cuja redução levou à desativação da unidade de Juazeiro do Norte (BA) e ao encerramento de seu contrato. Ele decidiu criar a empresa de cuidadores Mais Amor, em Salvador (BA), em parceria com o filho, estudante de medicina. Dois meses depois, a participação no Empretec, do Sebrae, imersão com 60 horas em uma semana, resultou na decisão de adquirir duas franquias da rede de passadeiras Mania de Passar – com suporte do curso Entendendo o Franchising, do Sebrae e da ABF.

Após investir cerca de R$ 55 mil, Reis administra cinco contratos e dez colaboradores na primeira e mais 35 clientes e três funcionários na segunda, e já retira cerca de 40% do que ganhava antes. “A qualificação foi vital.”

Ex-gerente de sistemas do grupo Fleury, Monserrat Rampini investiu R$ 70 mil em uma franquia da lavanderia Lava e Leva com apoio de programas no Sebrae – Empretec, Canvas (descrição do negócio) e Na Medida Gestão Financeira (controle financeiro). Com um ano e dois meses de operação, o faturamento médio mensal é de R$ 15 mil. “Procurei os cursos para desenvolver visão empreendedora”, explica.

As franquias ajudam na formação do novo empresário. Com dez anos de Via Varejo, os profissionais de tecnologia André Montalvão, 38 anos, e Elton de Sousa, 36 anos,  foram terceirizados pela CTIS, hoje Sonda, e demitidos em 2016 com o fim do contrato. Depois dos workshops Como Abrir Negócio Próprio e Entendendo o Franchising, do Sebrae, investiram R$ 42 mil das rescisões em uma franquia Suport Smart, voltada a celulares e inaugurada em março de 2017 em Curitiba (PR). “Recebemos 30% menos do que antes, mas é mais do que as propostas que surgiram quando saímos”, conta André.

Alessandra Tronquini e Marcos Silva também se apoiaram em franquias. Com 47 anos, 27 dos quais na HP, Alessandra era aluna da rede Kumon de Inglês e matemática quando foi desligada em 2016. Depois de passar pelo extenso programa de seleção e treinamento da Kumon investiu parte do FGTS, perto de R$ 60 mil, em uma unidade em São Paulo.

“Com seis meses começou a dar lucro”, comemora.

Marcos, por sua vez, demitido da área de RH e hoje com 41 anos, decidiu-se pelo empreendedorismo e optou pela Cacau Show, onde empregou R$ 120 mil dos ganhos da rescisão. A nova loja foi aberta 15 dias antes do último Natal. “O treinamento para novos franqueados dá ideia melhor sobre os negócios”, diz.

Fonte: Jornal O Valor

 



Deixe uma resposta