Interesse Genuíno

(Fonte: Google)

Os Especialistas em Networking possuem um interesse genuíno nas pessoas, interagem constantemente – não só quando precisam de algo.

Mas qual o segredo para fazer networking sem parecer interesse? Esse é o tema do livro Networking vs Networking, ainda sem editora definida, do executivo e agora consultor Alexandre Galdini, de São Paulo. Após fazer carreira como diretor e presidente de grandes empresas, onde sempre se destacou por sua capacidade de relacionamento, Alexandre deixou a vida executiva e agora pretende ajudar outras pessoas a desenvolver essa habilidade.

Segundo o consultor, o interesseiro é alguém egoísta, aproveitador, que se vale da boa vontade dos outros em benefício próprio sem oferecer nada em troca. “Já o interessado se aproxima dos outros porque vê uma oportunidade de aprendizado, de amizade e também de realizar negócios, mas entende que a aproximação precisa acontecer visando ao benefício de ambas as partes”, diz Alexandre. “Ora eu preciso de você, ora você precisa de mim, ou de um conhecido.” Para ele, além de recíproca, a relação deve ser gentil – não invasiva -, baseada na confiança e se fortalecer a cada contato. “Claro que há o interesse – e ele é lícito, não há problema nenhum. Mas o que não pode, nem adianta, é esconder isso. As pessoas hoje em dia buscam honestidade, não adianta tentar enrolar”, afirma o consultor.

Naturalidade e honestidade, aliás, são palavras bastante repetidas pelos entrevistados desta reportagem. Eles incorporam a prática do networking de tal forma ao seu dia a dia que ela se tornou parte de seu estilo de vida. Possuem um interesse genuíno nas pessoas, interagem de maneira constante – não só quando precisam de algo – e estabelecem conexões sem esperar nada em troca. “Deve-se atender o outro sem expectativa de retorno. Até porque esse retorno talvez nem venha dessa pessoa, mas de outra. Não dá para ter um networking utilitário”, diz Alexandre Galdini. Muitas dessas pessoas nem sequer consideram o que fazem networking. “Para mim, essa palavra remete a algo feito com interesse e objetivo específico de usar outra pessoa, e isso me choca um pouco”, diz Sofia Esteves, presidente do conselho da consultoria de gestão de pessoas DMRH e da empresa de recrutamento Cia de Talentos, de São Paulo.

Sofia é detentora de uma das redes mais numerosas do país, o que inclusive lhe rendeu o convite para ser uma das primeiras influencers – pessoas de referência para seguidores de determinados temas – no Linkedin do Brasil. Sua trajetória como headhunter exigiu que a executiva conhecesse muitas pessoas, mas basta acompanha-la a algum evento, em que ela mal consegue dar dois passos sem ser abordada por alguém, para perceber que há algo mais em questão. “Eu amo pessoas, me preocupo e me relaciono de verdade com elas. Se estamos abertos a ajudar o outro, também recebemos ajuda quando precisamos”, afirma Sofia. Ela pratica isso adotando gestos simples, como sempre dar uma justificativa quando não pode comparecer a um evento ao qual é convidada ou ligar no dia do aniversário dos seus contatos. “Não há nada mais pessoal do que o dia do aniversário, e todo mundo gosta de ser lembrado”, diz ela. Por outro lado, Sofia critica quem só aciona sua rede por interesse. “Uma coisa que me entristece é a pessoa que nunca fala comigo, mas quando perde o emprego de repente vira meu melhor amigo. Manda mensagem pedindo favor, sem sequer perguntar como eu estou”, diz a executiva.

A presidente da DMRH aprendeu desde cedo, em sua carreira, sobre a importância da atenção sincera aos relacionamentos que cultiva. Seu primeiro assessorado foi um presidente de empresa de 58 anos de idade, que tinha um mês para arrumar um emprego no Brasil ou teria de se mudar para o Canadá. Sofia virou a noite preparando e datilografando o currículo dele e juntos escolheram as empresas de interesse. Nos anos 80, antes do advento do e-mail, o costume era enviar o documento pelo correio. Mas, quando a empresa era perto, Sofia fazia questão de entregar pessoalmente. Em menos de um mês, o cliente recebeu quatro propostas. No dia em que assumiu o novo cargo, o executivo agradeceu Sofia e revelou que, se não tivesse conseguido uma posição, iria se matar. “Chorei muito na hora, teria me sentido muito mal se não o tivesse ajudado”. diz ela. Foi também com esse trabalho que Sofia aprendeu sobre o retorno proporcionado pela ajuda desinteressada. Dois anos mais tarde, quando decidiu abrir sua própria empresa, foi esse mesmo executivo quem a orientou sobre como viabilizar o negócio. “Era uma pessoa que eu tinha a obrigação de atender naquele momento, porque era meu cliente, mas pus afeto e fiz as coisas antes do prazo. Fui importante na vida dele, mas nunca imaginei que ele depois seria fundamental na minha”, diz ela.

Fonte: Revista Você S/A – Junho.16



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